lundi, février 10, 2014

Justificando cagadas

Gostava tanto
Tanto
de novela
Que só fazia merda
Pra depois
poder corrigir
e viver 
um final
feliz?

lundi, novembre 04, 2013

Só colho flor do chão. Flor morta. 
Mas, pensando bem... Ao colher, creio que deixam de estar mortas, não é verdade?

RESSUSCITA-SE FLORES

jeudi, octobre 03, 2013

Até que enfim

Juntei do chão a primeira da estação.  :)



dimanche, juin 02, 2013

O nada-óbvio-utópico

Sofria - era essa a palavra - por tudo que desejava, ao mesmo tempo, em doses cavalares e sempre intensas. Era bom, mas sofria - de tão bom. Eram tantas as possibilidades, e a vida recém havia começado. Exatamente por isso é que não havia tempo a perder! Queria, e rápido, desvendar essas possibilidades mundo afora, ainda que fosse pra depois não escolher nenhuma delas e voltar pra casa - própria. Queria ter uma casa, aliás... Mas não havia tempo de ter uma casa, porque o mundo estava lá esperando, a casa que ficasse pra depois. Ou mundo, ou casa. Agora era diferente: queria tudo ao mesmo tempo, com muita música; O igual poderia esperar. Ficaria para quando já não restassem opções tão diversas e motivadoras de viver. 
Entretanto, nada estava assim, tão organizado: torcia para que esse futuro-igual-convencional não chegasse nunca!

jeudi, février 14, 2013

Criar - II

Falava da tal sensação boa de esquecer um amor com outro até esse também decepcionar tanto quanto os anteriores, mas enquanto isso não acontecia, preservava a mesma expectativa, da qual sempre se arrependia depois.

dimanche, février 03, 2013

Criar

Cristina criava galinhas. Sempre acharam um hábito meio avô-do-campo, julgamento que já não a incomodava. 

Já Teresa, atingida a idade adulta, passou a criar insetos. Abandonou a carreira de bióloga, mas permaneceu esse resquício e, obviamente, todo mundo comentava com estranhamento.

Pedro era artista. Criava histórias em quadrinhos, situação que, apesar de já ser bem diferente dos casos anteriores, compartilhava com eles o mesmo problema: o julgamento alheio.

Ana Maria, por sua vez, criava histórias. Mas, dessa vez, a questão era mais problemática: criava histórias; portanto, histórias falsas. E sobre as pessoas: era fofoqueira... Também era criticada.

Juarez, coitado... criava a própria forma de se sustentar: vendia assinaturas de revistas usando argumentos duvidosos. Não faltavam reclamações, além das dívidas de sempre.

Mas queremos falar, em especial, da Amanda. O caso dela não tem exatamente o mesmo fim, é complicado e doloroso. Esperemos que essa moça se recupere, pois as consequências são muito graves. Pode pôr tudo a perder na vida, que é sempre tão imprevisível. O sofrimento e as críticas, dessa vez, eram muito piores... 

Amanda - vejam só! - criava expectativa. 

samedi, septembre 22, 2012

Outros olhos - IV

- Viento...

- Qué pasa, chama?

- Em Caracas não tem flor lilás!!

vendredi, août 03, 2012

Seja doce!

- Puxa, tu sempre foi doce, assim...?

- Não. Aprendi na marra.

mercredi, août 01, 2012

Auto-persuasão

Estava tão nervoso, que precisou fingir que não estava e, nisso, acabou se convencendo a tal ponto, que nem estava mais nervoso.

vendredi, juin 29, 2012

Hay que endurecer... pero sin perder la IDENTIDAD jamás


Desta vez, a escolha do lugar no ônibus não seria como as outras. Ela foi muito mais triste. Atrás de mim, uma guria e um guri conversavam. Ela lhe perguntava o que ele fazia na Universidade no dia de hoje. Ele respondeu que era horário da bolsa em que trabalha. Ela pergunta, então, que curso ele faz, evidenciando a falta de intimidade entre os dois.

"Ciências da Computação. Mas queria fazer licenciatura em Física."

"E por que não faz?" - pergunta a guria.

"Meus pais não deixam." ... "Eles não querem que eu seja professor."

Talvez tanto quanto eu, a guria deve ter ficado chocada com o que seu pseudo-conhecido relatava. Seguia perguntando, sutilmente, por que ele não fazia, mesmo assim, o que gostava, por que os pais não queriam que ele fosse professor, se era porque ganhava pouco... 

Pior: era porque não dava 'status social', diz ele. Tudo, tudo, com um tom de voz tão resignado - principalmente quando contou que foi expulso de casa pelos pais porque tinha se matriculado em Física, mas aí voltou atrás -, que sou capaz de dizer que tinha um semblante tão conformado quanto a voz, mesmo sem ter ousado olhar pra trás até ele descer. Ainda disse que o pai é engenheiro e a mãe, arquiteta. O irmão, mais velho, faz Engenharia da Computação na PUCRS. 

E perguntava sobre as coisas que a guria falava (visivelmente tentando iluminar a mente tão alienada dele). Ela teve que explicar o que significava 'caráter', 'honestidade', 'identidade'... e dizer que a pessoa pode acabar perdendo a identidade, o que - grifo meu - é muito mais sério do que perder o documento com o número do RG.

Depois de alguns minutos de silêncio ele fazia outra pergunta qualquer, de certo constrangido com o silêncio (creio que chocado) dela, que, pra mim, dizia muita coisa. Em algum momento ele disse que, se/quando vier a trabalhar, vai morar sozinho e trocar de curso.

Mesmo que ele tenha descido antes, não tive coragem de falar com a guria, mas tive vontade durante todo o caminho. Desisti de descer na mesma parada, mas fiquei mais aliviada porque escrevia esse relato praticamente ao mesmo tempo em que tudo acontecia.

Se tive vontade de chorar enquanto ele narrava o próprio fracasso, seria mesmo EU a anormal? Ou será ele, em sua completa infelicidade? 

lundi, juin 18, 2012

Imagem em palavras

Estava passando pela sala e me aproximei da janela. Havia chovido o dia inteiro e restavam várias gotinhas pelas hastes de todo o varal. Em meio à escuridão total, em que talvez o foco de luz mais próximo fosse o da janela de um vizinho, era possível apenas ver as gotinhas, iluminadas feito luzinhas de Natal. Já hesitante devido à (falta de) qualidade da minha câmera, decidi, na hora, que deveria ao menos tentar tirar uma foto. Flash estava descartado. Sem ele, porém, não se veria absolutamente nada. Ainda assim, fiz preces para que milagrinhos como modo noturno, ISO e laterninha do celular por trás pudessem resolver alguma coisa, na minha total ignorância para fotografia.
Em meio a cuidados com janela aberta e gatos brincantes no escuro, fiz tentativas praticamente inúteis.  A representação daquela linda e efêmera imagem, pelo visto, insistia em não ser eternizada senão na minha memória. Não queria, de certo, virar objeto de contemplação em massa, que é o que acontece com toda e qualquer imagem, hoje em dia. Queria apenas existir, ali, naquele momento noturno e solitário. Mais ninguém saberia que ela existiu, além de mim. Não passaria de um fato cotidiano e quase tolo, que nada tem a ver com arte. Não passaria... mas passou. 
Falham as tecnologias, faltam os conhecimentos técnicos... No entanto, o poder que a palavra tem para descrevermos a cena que quisermos, da forma que quisermos, com ou sem luz, jamais falhará. Eu lancei as palavras. A cena, agora, fica por conta de quem ler.

jeudi, mai 03, 2012

A dialética do "eu te ligo": uma introdução

Zezinho nunca se havia perguntado sobre a lógica de se prometer algo sem a intenção de cumprir. Ou, talvez, sem saber se estaria a fim de cumprir, depois. 
Exemplo: não havia pressão alguma, nem expectativa ou qualquer cobrança. Ainda assim, prometia ligar no dia seguinte. Ou depois (ou depois de depois). Ou sequer mencionava o dia. O fato é que ele dizia - mesmo que isso nem tivesse passado pela cabeça da criatura em questão - que iria ligar. 
Mas pra quê? Pois ele nunca havia parado pra pensar nisso antes. Apenas seguia prometendo-e-não-ligando-depois. Por quê?



Esta é a primeira etapa do projeto de pesquisa, que segue em andamento, ainda que vagarosamente. Os resultados parciais foram: "não sei".

jeudi, mars 08, 2012

EURRI

.

jeudi, février 23, 2012

Outros olhos - III

- Vento...


- Quê?


- O calor de Porto Alegre derreteu as flores lilás.

vendredi, décembre 09, 2011

Destino

Sexta-feira. Ônibus vazio às seis da tarde, indicando que é final de semestre. Retorno de uma semana não tão cheia de aulas, mas com a cabeça muito cheia de trabalhos, provas e intemperismos do dia a dia. 
Sem que eu visse entrar pela janela, uma flor lilás cai no meu colo. 
Ganhei o dia. 

jeudi, novembre 17, 2011

Outros olhos - II

- Vento...

- Ai... o que foi agora, menina?

- Não, não estou triste de novo. Mas... lembra daquilo que tu me falou sobre aprender a enxergar outros tipos de beleza?

- Com certeza. Às vezes, certas coisas que acontecem podem ser um bom motivo para que aprendamos mais uma lição de vida.

- Pois é. Depois que reclamei da ausência da flor lilás, ela apareceu. Fiquei muito feliz. Mas, nisso, pensei: "bem que eu podia tirar uma foto daquela árvore ali da esquina, que tá com umas flores amarelas lindas...".

- Muito bem! E então...?

- Só que acabei aprendendo outra lição, amigo Vento: quando finalmente decidi valorizar a flor amarela... ela já não estava mais lá!

- É... nem tudo são flores, menina.

mercredi, septembre 28, 2011

Outros olhos

- Ando meio triste.

- O que aconteceu?

- Ah, é aquela flor lilás, sabe... Todos os anos, nem bem chega a primavera, ela já está por aí, cumprindo o dever de colorir o céu e o chão. Cumprindo, sem querer, o dever de me deixar feliz. Mas esse ano ela ainda não apareceu.

- Tu não gosta de outras flores?
- Gosto! É que... talvez eu nunca me contente com pouco, é isso.

- ... As flores cor-de-rosa são pouco?

- Não... mas as lilás sempre aparecem! Por que agora seria diferente? Me diz!

- Para te fazer ver outras belezas, é possível que a flor lilás tenha sido soprada para outros lados - respondeu o vento.

lundi, août 22, 2011

Vingança?

Diante do altar, quando ela finalmente, depois de anos, havia resolvido dizer o esperado "sim", o padre pergunta se alguém é contra a união:

- Eu - surpreende o noivo.

vendredi, mars 18, 2011

2 (lições) em 1

Continuo acertando ao esperar sempre o pior. Não concordo com o tom pejorativo de ser "negativa". As pessoas realmente acham que é só "pensar positivo", que uma mágica metafísica vai alterar um acontecimento (que ainda nem aconteceu!) apenas porque a gente desejou? Ora, faça-me o favor. Ganho mais esperando o pior. Vai ser, no máximo, isso: pior. Mas, pior do que isso, não. O que realmente me mata, e nisso talvez as pessoas sejam diferentes, é uma expectativa frustrada. Aí sim, não há lucro nenhum. É uma grande sacanagem do otimismo, eu diria. Nos dedicamos exaustivamente a ele... pra quê? Pra tudo dar errado.
Espere sempre o pior! Com o tempo, os fatos te mostram que não é bem assim e tu ainda aprende a reconhecer os próprios erros  :)

Canción Paranaense

Al suelo se viene el cielo
lila del Jacarandá
al suelo donde va el paso
solitario del soñar
Con el andar distraído
pisando las flores va
Un amante de la rama
en flor del Jacarandá.
De flor lila se ha vestido
la gracia de Paraná,
y una muchacha acostada
se me antoja la ciudad
Una muchacha dormida
- lila en la flor de la edad -
toda graciosa y curvada,
durmiendo a todo soñar
No la despiertes, Noviembre,
Aunque enamorado estás,
déjale en flor ese sueño,
no vaya a recordar
el lila en que se ha dormido
junto al río, la ciudad

Carlos Alberto Alvarez

lundi, février 21, 2011

Flor que se cheire?

Ela tinha razão... não há flor que não se cheire.
Acontece que algumas dão alergia. Outras, nem fedem nem cheiram.
Não importa! Lá também tem Jacarandá. E lá vou eu, em busca de outras flores que se cheirem, que não deem alergia, mas... por favor: ou fedam ou cheirem!

mercredi, février 02, 2011

O cúmulo do choro

Não chorava pelo motivo em si.
Chorava por lembrar do quanto chorou
pelo motivo em si.

vendredi, janvier 28, 2011

Ahora quien se va soy yo

O verão é bonito. Esconde, por trás de um sol impiedoso, a beleza e o fervor de uma época em que toda hora é hora e todo dia é dia pra tudo. Muita coisa acontece em um inocente verão: novas ideias, novos momentos, novas pessoas... que vêm e vão, deixando sempre um todo delas, levando sabe-se lá o que de nós! E por que querer saber? Por que esse desejo de uma cruel (in)certeza que em nada modificará o que passou? Para que seja possível imaginar o outro lado, deve-se viver esse outro lado.
Así que ahora quien se va soy yo.

jeudi, janvier 20, 2011

Variação ou Mudança?

Assim como uma mudança linguística, a mudança no ser humano costuma também ser lenta, gradual, contínua e regular. Lenta, porque, assim como na língua duas formas diferentes de se dizer a mesma coisa coexistem durante certo tempo - para, apenas depois desse estágio, uma delas ser eleita pelo falante como a mais apropriada e, portanto, representar um caso de mudança -, na vida real também passamos por essas etapas, que duram algum tempo. Gradual, justamente pelas etapas em si: o tempo é constituído por estágios que mostram uma progressão, ou seja, que a mudança acontece aos poucos. Contínua, porque, ao iniciar um processo de mudança, a tendência é que ele não regrida ou pare no meio,  mas que siga em frente, já que não se trata de variação estável, mas de mudança em progresso. E, finalmente, regular, porque, ao mudar-se alguns aspectos em determinados momentos, essa mudança também se aplicará a outros momentos, seguindo certa regularidade característica de uma mudança.

Me parece que essa teoria toda se aplica também às pessoas. Elas também mudam. As do passado e as do presente. Além disso, deixa clara a distinção entre oscilação de personalidade e mudança efetiva, mas não definitiva... Ainda que algo ou alguém seja de determinada forma por certo tempo, uma certeza existe: todo cambia

samedi, décembre 25, 2010

Achados: o lado bom do final do semestre/2

"(...) o tempo estacionado no chão: dois punhados de areia e os cacos. Passado e futuro. E eu? Onde ficava eu agora que o era e o será se despedaçara? Só o funil da ampulheta resistira e no funil, o grão de areia em trânsito, sem se comprometer com os extremos. Livre."



As Meninas - Lygia Fagundes Telles

mardi, octobre 05, 2010

Não há flor que não se cheire

-Ei! O que é aquilo ali no chão? Me parece algo lilás. 
Peraí... Mas já?  

(Ela para em pleno meio-fio, a mirar fixamente um ponto arrouxeado. Seu olhar é perplexo, mas de uma perplexidade com semblante satisfeito. Imediatamente, dando-se conta do que era, trata de investigar a seu redor se haveria mais daquelas. 

Nada. Fixa novamente o olhar naquela única e ousada flor lilás, que não só já viera ao mundo como também já viera ao chão. Por fim, já sentindo sabor de primavera, tirou o olhar do solitário pontinho lilás e seguiu suspirando (discretamente) pelos paralelepípedos que, em breve, seriam novamente ruas da flor lilás).

mercredi, septembre 01, 2010

dimanche, août 08, 2010

Auto-sabotagem alheia

Ivan era um guri convencional. Como qualquer outro, ia a festas, cursava Direito e não fumava cigarro. Nunca apanhou de seus pais e sempre teve tudo o que quis, mas, ainda assim, deixava uma nota preta na psicóloga, a cada consulta. Teve uma namorada durante três anos, mas percebeu que nem combinavam, mesmo, quando ela terminou a relação sem dar maiores explicações. 
Na faculdade, fazia o curso que pudesse dar retorno financeiro, conselho dado por seus pais: um, engenheiro; outra, dentista. Ivan, bem lá no fundo, não gostava muito do que estudava. E foi num almoço no RU do Centro que ele, um dia, conheceu Carla: guria inteligente, bonita, legal e futura fonoaudióloga. O rapaz sempre havia sonhado em encontrar alguém como ela e, nos últimos tempos, praticamente já descartava a chance de isso acontecer. Carla era compreensiva, educada, usava calça 38 e, ainda por cima, não era ciumenta. Não era ciumenta! 
A aproximação entre os dois foi imediata. Passaram a se encontrar todos os dias, os pais da moça faziam muito gosto pelo namoro, moravam relativamente perto e, pra completar, Carla também gostava de futebol e de Pink Floyd. Estavam completamente apaixonados um pelo outro. Um se dava bem com os amigos do outro e, em alguns fins de semana, até iam todos juntos para a praia. Todos diziam a Ivan que ele tinha encontrado a mulher da vida dele, pois ela era exatamente o que ele sempre esperou em uma namorada: era perfeita. 
Dias após os comentários de seus amigos, Ivan esteve algo pensativo e melancólico, o que não preocupou muito Carla, que sabia respeitar o espaço do companheiro e não quis atormentá-lo com perguntas. O rapaz havia encontrado a guria certa. E isso começou a assustá-lo de tal maneira, que ele percebeu que não poderia estar tudo assim tão perfeito em sua vida e, dois dias depois, terminou o namoro.

mercredi, juillet 28, 2010

E quando se descobre que achar que se entende um outro idioma pode pôr tudo a perder?
Nada: não se faz nada. Já é tarde e o mal-entendido já foi mal entendido. Quem sabe, com mais paciência, tudo poderia haver sido diferente. Tontos (...)

Bipolaridade & Futebol

Tratar-se-á de dois assuntos, hoje: bipolaridade e futebol. Assuntos afins, como o possível leitor pode perceber. Não que eu seja médica, mas posso diagnosticar, assim como muita gente pode(ria), quando esses problemas afetam certo indivíduo. 
O primeiro exige apenas observação meticulosa de determinados diálogos, ainda que durante não muito extenso período. Se comparados diferentes dias, já se pode obter resultados satisfatórios (ou decepcionantes, já que tudo depende do ponto de vista). Se já é suficiente somente a tal observância efêmera das características de uma bipolaridade em potencial, já que talvez nada seja tão definitivo e tudo possa ser relativizado, de acordo com as circunstâncias? Sim, já é suficiente.

O segundo exigirá muito mais paciência do amigo: é que fiquei sabendo, hoje, que Maradona não mais será técnico da seleção de la República Argentina. iQué lástima!

vendredi, juillet 02, 2010

Achados: o lado bom do final do semestre II

A escrita gira sobre si mesma em um profundo ato de narcisismo, mas sempre perturbada e obscurecida pela culpa social de sua própria inutilidade.


Terry Eagleton, "O pós-estruturalismo". 

Achados: o lado bom do final do semestre

Anotação para um poema

As mãos que dizem adeus são pássaros
Que vão morrendo lentamente.

Mario Quintana


dimanche, juin 20, 2010

Desoutonecendo...

Termina o outono e eu nem escrevi sobre ele, como esbocei prometer. 
Conclusão: prefiro a primavera.
Malzaê.

Acontecimento inusitado

Era tão, mas tão egoísta, que não pensou na possibilidade de não poder se vingar por acabar vivendo mais do que quem se esperava que vivesse mais e, assim, o arrependimento tardio se duplicou.

Arrependimento tardio

Era tão, mas tão orgulhoso, que esperou morrer para reconhecer que também e pior havia errado, a fim de causar remorso alheio.

lundi, mai 31, 2010

Guerra de Egos ou "Ao Ego - II"

Era uma vez um ego. Mas um ego bem invocadinho. Se não era afagado a todo tempo, enfadava-se tanto que parecia até desejar quem não lhe demonstrava apreço. Mesmo que não desejasse. Aí estava o problema: não sabia diferenciar quando estava ferido ou quando estava apaixonado. O fato é que achava ousadia demais que não lhe alisassem a toda hora, ressaltando suas qualidades e endeusando-o deveras. Como isso lhe deixava tristinho, pensava estar amando. Acabava nunca descobrindo se realmente estava ou se tudo não passava de reação à humilhação de não ser devidamente desejado. Assim permanece.

Era uma vez outro ego. Primeiramente, assemelhava-se ao primeiro; mas, na verdade, faltava-lhe algo de coragem. Era bundão. Deixava-se influenciar desgraçadamente pelas chantagens de egos alheios, e, assim, não conseguia curar os machucados com novos remédios: novas emoções. Sabotava-se constantemente. Era masoquista. Só que era tão orgulhoso quanto o um ali de cima. Dessa forma, era tão paradoxal quanto. Não sabia se casava, se comprava uma bicicleta ou se deixava de ladainha e passava a ser transparente com seus sentimentos, sem esquecer de respeitar os dos outros.

Assim divergem.
Porém, se a Terra for redonda, assim talvez possam se encontrar, um dia. 

samedi, mai 29, 2010

Frio Abraço

Ou não me abrace, ou faça-o direito.
O teu disfarce nunca foi perfeito

Viole tuas regras
de ser tão piegas
E passe reto
Olhe pro teto
Mas por favor, eu te peço
Não forje um afeto
Que este, eu garanto
só pode ser franco;
senão, ele é frio.


E eu não quero o teu abraço frio.
 

mercredi, mai 12, 2010

História de cinema

Aquela frase havia permanecido para sempre em sua memória, desde a data em que fora proferida. "A cada dia gosto mais de ti". Ainda que já suspeitasse, sempre se deu mal em relação a conclusões precipitadas, então... preferia demonstrar surpresa, dali em diante. Era mais bonitinho e menos arrogante. "A cada dia gosto mais de ti"... Para se dizer algo assim, certamente tem-se que pensar muito bem. Já havia decorado exatamente palavra por palavra, na mesma ordem. Também havia feito as representações sintáticas das orações e arrisco dizer até que saberia repetir a sentença em vários outros idiomas. Cabe refletir sobre a ideia de ascensão que ela passa: não é "gosto de ti" ou "gosto muito de ti". É CADA DIA mais. Ou melhor... era. 
Não será narrada aqui alguma possível e complexa evolução desse sentimento, dessa história. Também não se entrará em méritos, pois não há "certo" ou "errado" ao se gostar de alguém. Não passa de uma verdade, por assim dizer. Ou não passava, pois já estamos no fim da história, e ela, que um dia emitiu a tal encantada frase, foi embora para muito longe e nunca mais voltou.

Hoje, já é futuro e "cada dia mais" ficou no passado, para o resto dos dias.

mardi, avril 06, 2010

A mancha no tempo

Esfregou, esfregou, esfregou e não saiu. Pensava que não ficaria a marca, por isso é que havia deixado tudo intacto. E mesmo que ficasse, marcas de verdade tinha-as na lembrança de um tempo feliz e no coração, que, de tão triste, vinha aprendendo a ser feliz na marra. Tentou de tudo: não saiu. 
A marca era redonda, mas não muito indiscreta. Não lambeu, para saber, mas era evidente que a dita-cuja seria salgada - embora não tivesse cara de coisa salgada. Na verdade, não tinha cara de nada. Sequer teve cara de não cair ali, no mais, num lugar tão... impróprio! Que se recolhesse à sua insignificância, em vez de andar a espalhar-se por aí, dizendo ter sido ferida pelo (res)sentimento dos outros. Muito inocente essa tal, pensando ser a única a sofrer...

Vendo que a teimosa não desapareceria, desistiu de esfregar. E a marca de sua última lágrima ficou ali, para sempre, na mesa da sala.

mardi, mars 30, 2010

Sentimento: desculpe, foi engano.

Se possível fosse sentir sem querer ou querer sem sentir, poderia, agora, dar-me conta de que tudo não passou de um sonho: desses sonhos imaginados, não o sonho que é sonho de tão lindo. O problema é que estou na dúvida! Será que a pessoa dramática chega ao ponto de sentir sem sentir? O fato é que é bonito sentir (mesmo sem sentir). Então, acaba pegando bem, né? Todo mundo quer ter sempre um sentimentinho-seja-lá-pelo-quê. Não importa muito tentar descobrir se o dito cujo é realmente sentido por ti: o fato é que sentes (que sentes) que é tri bom sentir. Ainda que seja sem querer. Escapole (de escapulir) todos os dias uma depressãozinha por alguém, e se esse alguém está longe, então... dá mais status ainda. Passou maidimês numa convivência inesquecível com o ser? Batata! Mais pega-ratão ainda! Não é paixão nem nada. Não caia nessa. Você apenas está com síndrome de autoenganação diacrônica paixonítica baseada numa inicialmente empolgante esperança de que em todo aquele tempo esse alguém gostava tanto de ti que te demonstrava isso todos os dias e agora nunca mais.


Nunca mais. Mas isso não aconteceu, foi só engano.

lundi, février 08, 2010

Te decepciono? Que bom, que bom. É maravilhoso saber que, acima de qualquer crítica não solicitada, está a verdade, a transparência: a minha consciência. Só tolos não decepcionam a ninguém. Falta-lhes coragem de ser insuportáveis, desprezíveis e tudo de mais nojento que possa existir.
Ser agradável é barbada. Assim, até eu me daria bem, escondendo na boca todas as palavras, nos olhos, todas as expressões e, nos gestos, todas as atitudes. As não-atitudes. Se for para não-viver, não tem graça.

Não te decepciono? Começo a me preocupar...

mercredi, janvier 13, 2010

Qué voy a hacer?

... je ne sais pas.

jeudi, janvier 07, 2010

Sem objetivo algum

Não sabia muito bem o que isto queria dizer, mas se tinha algo de que tinha certeza era de que nunca fora tão feliz quanto dantes. Naquela época... em que todos os sentimentos bons pareciam se bastar para sempre. Com toda a certeza tal conclusão, de maneira alguma, queria dizer que hoje estava pior e que "quem dera o tempo voltasse". Não, né. Mas precisava relembrar da alegria otária de outrora. Se sentia inteligente e com maturidade suficiente para qualquer coisa que viesse: viesse o que viesse. Só que hoje não importa nada mais disso, e sim que, venha o que venha, considera bem difícil a hipótese de sentir-se tão feliz outra vez. Repete: não poderia estar melhor, atualmente. De acordo com as condições presentes, era brilhante o momento. No entanto, como foi naquele tempo, não haveria igual. Não sabia por quê. Mas não tem como. Não tem.


E era isso. 

lundi, décembre 28, 2009

Ela se foi

Escapou por entre meus dedos.
Quanto mais segurei,
mais se esvaiu nosso laço.
Pensei que a ouviria depois,
mas ela não pôde esperar
Tem pressa para visitar
um outro qualquer por aí
Perdoe, leitor, mas perdi
o que antes deveras sentia:

adeus, inspiração.

lundi, décembre 14, 2009

Garçom do bar Pinguim agrediu meu amigo porque nos negamos a pagar os 10% OPCIONAIS

Para todos que frequentam a Cidade Baixa, em Porto Alegre - RS e, mais especificamente, o bar Pinguim, na Rua General Lima e Silva, 505 (telefone 3221-3361), esquina com a Rua da República:

Ontem de madrugada, quando eu e meu amigo fomos ao caixa pagar, dissemos o valor da conta para o garçom que a fechou fora do caixa. Ele disse outro valor maior e eu insisti no valor certo. Descaradamente, ele começou a tentar nos constranger, como se não existisse uma lei legitimando a não obrigatoriedade do pagamento dos 10% (que paguem direito seus funcionários, não? Eu é que infelizmente não posso pagá-los).

Disse mais: "então não venham mais aqui". Diante de tamanho absurdo, me dei ao direito pelo menos de chamá-lo de "infeliz". Nisso, terminávamos de pagar (apenas o que consumimos) e DO NADA veio um soco, de outro garçom, na cara do meu amigo. Mal pude entender que não era o mesmo que nos atendia, na hora, porque vi de relance.

Enfim, na mesma hora o agressor fugiu para dentro do balcão, conforme meu amigo. Acabei não vendo isso porque nesse momento fui ligar para o 190.

Enfim, o resto já não importa tanto, mas creio que todos devam saber o que acontece na nossa cidade e que poderia ter acontecido com qualquer um. Se é culpa do bar? No momento do soco, o indivíduo ainda era funcionário do bar. Depois, já não sei. Dizem que não. Ou seja, se ele sumir, o bar tem que responder. E, pelo visto, o critério de escolha de funcionários está péssimo por lá. Ou seja, tomem cuidado.

Por favor, divulguem o caso entre amigos e conhecidos. A qualquer momento, isso pode acontecer de novo com qualquer cliente do bar, como já comecei a descobrir que aconteceu com várias outras pessoas.


Obrigada,

Melissa.

13/12/2009

vendredi, décembre 11, 2009

Visita virtual não-correspondida

Vi teu perfil
tu não retribuiu

Eu sei que tu me viu
no meio-fio
mas é que tu fingiu
que não me viu
porque me olhar é vil
Porém sentiu
que o olhar atingiu
E eu, encantos mil,
vi teu perfil.


...tu não retribuiu.


Ei, psiu! Vá pra ponte que rachou.


lundi, novembre 30, 2009

Paradoxus ad infinitum

cansei. cansando, desisto. desistindo, aprendo. aprendendo, não erro mais. não errando mais, vou fazer o que, depois?

jeudi, novembre 26, 2009

Pesadelar

Tive um pesadelo quando acordei
porque sonhei que tudo era lindo
e, quando acordo, vejo que sonhei
Até quando serás só isso?
Até quando, fruto de meus pesadelos?

mercredi, novembre 25, 2009

O tempo vai fazer com que eu esqueça

”Se me fosse dada, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo... E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.” 


Mário Quintana

mercredi, novembre 18, 2009

Depois

Após a despedida, baixou a cabeça para enxergar os degraus da escada que desceria - caso contrário, veria por fora dos óculos - e, por muito tempo, não levantou-a mais. Aproveitando o momento, começou a refletir sobre o que via para baixo, como seus tênis, a areia no chão do coletivo... Mas, no meio do caminho, havia pernas. Dando-se conta de que eram suas, tentou fingir que elas lhe dariam sustentação para seguir em frente. Mas não acreditou. Ora bolas, quem não tem pernas? Quem não anda? Seguir em frente é outra coisa!

Se, no entanto, vocês não entenderem a metáfora, considerem que não levantou mais do banco naquele dia. 

Antes

M'ias unhas, espelhos
Só nelas te vejo
quando o amanhã
espero, e do dedo
as ganas por ti
depredam a pele
pensando te ver
e por te querer
confundem fina flor
com a flor da pele

samedi, octobre 31, 2009

Você corre o mundo tentando chegar

Não é legal a impressão de que certo alguém não existe mais. De que o teu próprio passado te parece hoje virtual. As emoções de hoje não são melhores só porque são as de hoje... Tudo foi importante. Tudo. Principalmente a parte ruim.

mardi, octobre 27, 2009

Outoneceu a primavera

Certo dia, me pediram que escrevesse sobre o outono. Sem, de maneira alguma, alegar que não se tratava de um assunto inspirador, respondi que, naquele momento, outros devaneios permeavam minha mente e tinham, para mim, consideravelmente mais relevância do que a linda estação das flores no chão. Felizmente, o tempo passa. Um outono passou, muitas novas ruas passaram, e aqui estou eu, escrevendo sobre o outono, ou, por que não dizer "escrevendo sobre não escrever sobre o outono"?
Ao mudar de ideia em relação a fontes de inspiração para escrever, concluo, entretanto, que sequer há palavra a ser dita sobre uma cena como esta:
























No outono que vem, quem sabe, eu escrevo sobre O Outono...

mercredi, octobre 21, 2009

Ipê Roxo

... que de roxo nada tem

samedi, octobre 17, 2009

Receita de como aguentar a saudade de um amigo

Prepare o coração para os próximos 2 anos. Separe a noção de tempo da distância e reserve. Despeje as lembranças boas sem o esquecimento. A seguir, finja que o amigo está sempre por perto, já que é possível encontrá-lo todos os dias na internet e visto que telefonemas, de lá para cá, são muito baratos. Não esqueça de disfarçar a falta dele na frente dos outros: as pessoas têm complexo de psicólogas e nunca deixarão de querer te confortar, citando o lado bom de ele ter ido para tão longe. Acrescente, enfim, a noção de tempo que estava reservada e saiba que, embora o tempo passe, no início não há dor que diminua diante do amor e dos momentos tão bons que esse amigo em carne e osso proporcionou. Aliás, acrescente o amor, também. Caso contrário, a distância (que também estava reservada, em outro pote) pode fazer essa amizade abatumar, e aí, amiga confeiteira, não há fermento que a faça crescer novamente!

vendredi, octobre 09, 2009

Do não-conformismo

Não se conformava com nada. Se chovia, reclamava de ter que levar o guarda-chuva; porém, se fazia sol, dizia que a exposição demasiada a ele poderia causar danos à pele, mesmo não sendo, assim, tão branquinho - aliás, também não lhe agradava seu tom de pele.
E numa dessas, passou a reclamar também de falta de atenção, de modo que não aceitava o fato de a mocinha da locadora não convidá-lo para sair. Claro: também não se conformava em ter que tomar iniciativas. Ela que o convidasse, se assim quisesse. Sendo assim, acabava cada vez se relacionando menos com as pessoas. Não era justo que não fosse interessante aos olhos dos outros! O que há de errado com eles? E com elas? É tão difícil assim entender um olhar? Meia palavra já não basta mais? Na verdade, acreditava que palavras em dobro só piorariam tudo, embora fosse um tanto falante. Que tática nova adotar...? Como proceder? - eram as tormentas (cada vez mais) diárias que habitavam a cabeça desse pobre vivente.

Quando já não adianta mais mudar o caminho de volta a casa ou pegar um ônibus diferente, em horário diferente, com humor diferente, esse ser-humano se pergunta: será que não existe mais nenhuma forma de mudar esse destino de um ninguém tão fadado ao nada?

vendredi, octobre 02, 2009

Pequenas Coisas Boas

O homem que vem e assobia,
Rua da Praia, nascendo o dia
faça chuva ou faça sol,
assobia em RÉ, em SOL

As ruas são sujas de dia
E, ainda assim, ele assobia.
São sujas, também, de noite
e ele alegra um monte
os passantes, é como um "bom-dia!"

Do rosto amassado e cansado
com que acorda o cidadão
Brota um sorriso encantado,
surpreso com o canto em vão.

Mas em vão não há de ser
enquanto ele não quiser
Pois sabe como fazer
pr'alegrar a um qualquer.

Basta engatar a marcha
dos lábios, que sabem o proceder.

Essa manhã, meu bom senhor,
a Rua da Praia esteve menos vazia.


25/05/2009

samedi, septembre 26, 2009

Da vagareza

Tartarugas são conhecidas por caminharem lentamente. Aos seres-humanos, a lerdeza não é necessariamente uma característica inerente. A verdade é que muitos tartarugas seguem por aí fazendo corpo-mole, a fim de se convencerem de que realmente são nada mais do que isto: tartarugas. Uns mais, outros menos. Mas sempre tartarugas. "Devagar e sempre", como dizia o outro. A pressa é inimiga da relação?

jeudi, septembre 17, 2009

Eu mandava, eu mandava ladrilhar

Nessa rua não há,
que eu não tenha pisado,
uma lajota só.
Que eu não tenha voado,
nem um pedaço de ar.

Se pode haver sentimento
que eu não tenha sentido
entre os concretos da rua...?


Nos paralelepípedos dessa quadra,
ainda sou toda saudade.

mardi, août 04, 2009

Nota

Este é um blog. Como todos, se dá o direito de ser fictício quando for, não-fictício quando não for. Também se dá o direito de não ser, assim, tão específico. Portanto, seja bem-vindo e boa leitura!

dimanche, août 02, 2009

Basta

Não queriiiiiiiiiia toda essa intensidade! Nem pensar em assuntos alheios dá mais, quando a ansiedade assalta esperando que chegue o tão esperado dia, ou, chegando, que espere a tão chegada noite. É bonito só nas poesias, mas isso não é poesia, e não faz bem, porque a gente não sabe o que esperar dos outros, a gente não sabe se espera que cheguem ou se chega uma hora que não podemos mais esperar - mas continuamos ali, esperando. Seria tanto melhor sentir mais ou menos, assim, que se rolar tudo bem, se não rolar tanto faz. A indiferença tão ensaiada na hora não sai, porque sai falsa, e tudo o que é falso não há. Um pouco de indiferença, meu senhor, por favor! Já não lhe cabe tanto sentimento assim desenfreado, e seria injusto não deixar um pouquinho para os que nem sabem o que é isso. Quantas sensações. Doa-se sensações! Tratar aqui.

"Era cerrar los ojos y dejarse llevar;

...pero te fuiste yendo(...)"




No Te Va Gustar

dimanche, juin 28, 2009

De doce, só o nome. Nem melhor do que se imaginava, nem o pior possível: era tolerável - mas não tolerante. De suave, só os gestos, só que esses enganam. O que o corpo não expressa, o coração sente (em dobro). Era uma surpresa de muito mau gosto, isso sim - diriam -, dessas que ninguém compreende e nem faz questão disso. Mais cômodo é fingir que nem existe!

Mas ela existe.

jeudi, juin 25, 2009

Auto-retrato alheio

Nada é mais triste que inteligência e vivacidade transformadas em desânimo e baixa auto-estima. Quem há (nem tão) pouco era recheada de sonhos e eternas dúvidas, hoje teima em prever seu fim, já sem muito do que duvidar. De que valem, cara, essas certezas? Relembra os teus questionamentos e traz eles à tona; nada é mais gratificante do que sempre duvidar.

Certezas... essas são para os fracos: por medo de admitir que nada sabem, vestem-se de ocas e irrefletidas convicções, levantando a bandeira do nada. E aquela mesma pinta que, bem sabia, deveria orgulhar-se da eterna busca pela outra face da moeda, hoje sofre por não mais ter coragem de tudo questionar.

Eis a transformação.

jeudi, juin 18, 2009

Ser ser-humano

angústias não assaltam somente à noite. a cada dia, a cada minuto, pois o tempo urge, assaltam na calada do dia, nas tagareladas da tarde, e principalmente na calada da madrugada. assaltam porque suas angústias lhe assaltam, porque suas angústias lhe assaltam, porque suas angústias lhe assaltam, porque suas angústias...

lundi, mai 11, 2009

É, vai chover de novo.

Depois de um retorno após três anos de distância, nada mais faria tudo ruir. Era o que parecia, no começo. Dessa vez, de forma sutil, o "tudo" veio cada vez esfriando mais, entretanto. Bem verdade é que tentativas enganosas de culpar a falta de tempo da vida adulta eram eleitas, muitas vezes, como uma forma de autoinjeção de ânimo. Não haveria outro motivo alheio a este: era por causa dela. Ela, que nem sempre fora a mais sensata das criaturas, mas que sabe-se lá com que lábia manipulou a situação de modo a lhe favorecer, e lá se foi tudo de novo - mas assim, de forma disfarçada, aos poucos. Nenhum acontecimento chocante: apenas tudo parecia ruir lentamente. O pior pesadelo. Tantos foram os anos de cumplicidade!

Mas a cumplicidade alheia falou mais alto: nessa história só há lugar para um(a) cúmplice.

dimanche, mai 03, 2009

Opereta

Como som de violino arranhado: era assim que se sentia. Ou melhor, era assim que sentia como lhe encaravam. Era transparência demais para uma pessoa só. Diziam-lhe que não podia sair por aí cortando o barato de tudo, estragando aparentes momentos de perfeição que eram vividos pelos outros.

Violino arranhado... Sempre le gustaron as metáforas. O que não agradava muito eram as críticas sem fundamento. Seu mundo arranhado parecia-lhe muito mais convincente do que aquele, cheio de magia, ao qual preferiam os outros. Vivera sempre de verdades: como uma música que realmente para no meio, se algo não está bom. Não importava se houvesse um público ansioso pelo final. Se necessário, falaria a verdade, doesse a quem doesse.

Doesse à vara ou ao violino.

dimanche, avril 26, 2009

Terapia?

Cada um tem a sua. Uns pagam fortunas por semana para conversar com alguém que talvez precise mais ainda de alguém para conversar do que o próprio cliente em questão. Outros, não tendo e$$a opção, fazem artesanato para vender na rua. Existem, porém, muitos casos mais complexos. A pergunta é: quem se entende completamente? Quem sabe de seus gostos, de suas aspirações e, para completar o clichê, de seus medos? Suspeitamos, no máximo. E se por acaso chegamos perto da compreensão, logo já muda tudo. Tem algo estranho que nos foge à razão, e muitas vezes é tão inconsciente, que não passa de uma possível pulga atrás da orelha. Ou parece não passar, e é justamente isso o intrigante! Como descobrir, como decidir se certas atitudes devem ou não ser tomadas? Escrevo de forma genérica que é para tratar de um tema bem genérico, mesmo. Antes fosse genético; assim, a culpa não seria minha, digo, nossa.

Ou todo mundo tem problemas sérios, ou ninguém tem nenhum. É tudo tão relativo quanto a fidelidade de Capitu, com o perdão de mais um chavão. Não tentemos entender, portanto, algo que não se explica em consulta alguma, fazendo regressão ou não. Deixa o espírito, ele não está tão mal assim. É só na hora que parece. Aos trancos, todo mundo se cura. Uma boa conversa, é claro, não atrapalha em nada. Disso sim, devemos abusar. É de graça. Trauma de verdade, para mim, seria a conta de um psiquiatra, no final do mês.

mercredi, avril 15, 2009

O paradoxo dos prazeres

Para não começar dizendo que tudo o que é bom dura pouco, permita-me refletir sobre algo mais complexo ou mesmo biruta: o que é bom?

Não são poucas as vezes em que, ao protagonizar situações nas quais deixamos de obter as vantagens ou os prazeres de sempre, julgamo-nos azarados. Passado um tempo, o trauma acaba virando lição de vida. Estou errada? Ser-humano algum admitirá, no passado em questão, que não sabe o que é melhor pra si. E está mais do que certo. Na hora, sempre sabemos. Entretanto, mais além, não só os outros sabem como nós mesmos sabemos que nada sabíamos. E daí?

Que bom. Assim, a sensação de azar passado fica apenas nesse (remoto ou não) passado. A impressão de aprendizado impera diante desse confuso paradoxo entre certo & errado. Ah, mas antes de dar errado... Como é bom! Um sentimento "bom", seja qual for, não está preocupado em ser legítimo ou consequente. Se parar pra pensar, estraga. Ele quer se sentir e sentir ao outro, por completo e sem medo, como se qualquer desconfiança de alguma relatividade arrancasse de vez essa certeza intensa - e, por vezes, assustadora - de que era o momento perfeito.

Talvez esse paradoxo todo seja como a saudade de algo de que não fazemos questão que volte - e isso é uma das melhores coisas que se sente, tão-somente por se sentir. Sem cobrança. Fica só na lembrança.

Tudo a seu tempo: que os prazeres do passado tenham eternamente o seu lugar na memória, não importando se já não são mais verdadeiros ou se ainda são. No futuro, cabe a eles a decisão de continuarem encantadores ou de apenas ficarem na história.

samedi, avril 04, 2009

Em cima do muro

O que sempre transmito aqui são opiniões, entretanto... lá vai: todo mundo adora ter uma opinião. Sobre tudo quanto é assunto, sempre tem-se demasiadas colaborações que renderiam um debate, não fossem elas tão infundadas. Exemplo: a Reforma. PAREM DE PERGUNTAR SOBRE A REFORMA ORTOGRÁFICA! Eu não quero falar desse assunto. Tem quatro anos, ainda. Te acalma. Também não quero saber quem concorda com ela, quem não concorda, quem acha que só querem dificultar ainda mais a nossa vida (que maus são "eles"...), quem acha que não vai conseguir se acostumar(...) Quem acha isso é porque não redige mais do que a lista do supermercado. Pronto, falei. Hoje estou terrível. Sou capaz de dizer, inclusive, que a fala não vai mudar. Vejam só! Não staremos a flar como em PurtgaL e nem Cab Vérd flará como nós. Todos continuaremos a flar linguiça da mesma forma (espero).

Vamos ao que importa: eu nem sempre tenho uma opinião. Sério. Isso é uma opinião, claro, mas não me enlouqueçam, essa opinião é, na verdade, a presença da ausência de uma opinião. Por favor, não se force a pender para algum lado, porque geralmente esses ditos lados convergem, daqui a pouco. Posicionar-se sobre todas as situações pode se tornar embaraçoso quando não houver necessariamente um posicionamento. Senta no muro e enche o peito pra dizer que não sente nada pela Madonna ou pelo Michael Jackson, por exemplo! Afinal de contas, por acaso eles sentem algo por ti?

mardi, mars 31, 2009

Ao ego

Não temos amor próprio. Gostamos é de um outro(a) que reside dentro de nós. Chegamos a idolatrar esse ser, pois, diferente do nosso verdadeiro eu, esse outro tem uma imagem a zelar: falo dele mesmo, o ego. Um cara perfeito, latino de nascença, com lábia e charme de sobra. Não fazemos nem sombra perto de nosso ego. Ele é fashion. Colorido. Está sempre tentando provar algo a (ou de) alguém, isso quando se presta a esse trabalho... afinal de contas, quer coisa mais unânime que o reinado desse nosso "outro eu"?
O ego engana a todos, até a nós mesmos - mas não a si. Engana, inclusive, que é outra pessoa, quando na verdade não passa de um quê de carência dentro de nós. O seu (ou o nosso?) orgulho ferido não lhe permite admiti-lo, no entanto, porque sua existência autônoma depende unicamente de uma personalidade própria. Como ele não tem uma, rouba a nossa.


O ego é ladrão.

jeudi, février 19, 2009

Bem com os homens, mal consigo.

Se somos sinceros demais, não gostam da gente. Se de menos, também não gostam. Querem que sejamos o equilíbrio perfeito de tudo o que há de mais equilibrado nessa vida. Ter essa opinião generalizada é tendencioso; logo, sou uma pessoa desequilibrada. Então não gostam de mim. Fazer o quê? Só há duas alternativas: seja quem você é sem-se-importar-com-o-que-pensam-tô-nem-aí, ou então sirva de molde para ser ser-humano perfeito e pode-se (de podar) a cada crítica. As opções tão aí, 50% de chance de dar certo. A não ser que não haja alternativa correta, e nesse caso o que acontece é a anulação. Linguagem técnica de concursos à parte, a metáfora convém, sim. Se não agradamos às pessoas de nenhuma forma, passamos à autoanulação (sem hífen - pra não perder a piada da moda, a la réforme).
Mas de que importa sentir-se bem consigo? Lá dentro a gente dá um jeitinho brasileiro, o que importa é posar de modelo de vivente, assim seremos aceitos por nossos semelhantes perfeitos, pois eles, ah, eles não erram!

samedi, janvier 31, 2009

Magra, infeliz e... morta.

Verão. Tempo de exibir o que mais orgulha a alguns: o corpo. O problema é que está cada vez mais difícil de ver alguém com esse orgulho: o maldito está sempre engordando! Nem filhos recebem castigos tão penosos de seus pais como os corpos recebem de seus donos. Sejam esses donos pais (ou mães) ou não, são capazes de passar dias sem almoçar - e aí já se pressupõe também "sem jantar" - para acompanhar o emagrecimento agudo de suas carcaçasDIGO, de seus sarados corpos. Tipo esquisito, não? Talvez alguma espécie de alienígena mais obscura do que a do simpático E.T. Eis que, ainda adolescente ou mesmo no início da vida adulta, um ser humano consegue, não comendo, no mínimo bulimia ou anorexia. No máximo, morte. Entre 40 e 50 anos, esse mesmo ser humano já não tem o mesmo metabolismo e pode passar a engordar com mais facilidade, isso é fato. Também já não tem o mesmo sistema imunológico, entretanto, e pode passar a morrer com mais facilidade, caso não ingira alimentos.

Dizem que comer é muito bom. Causa mais felicidade, também.
Experimente! Sua vida agradece.

mercredi, janvier 21, 2009

Olhou-se no espelho e não reconheceu a mesma pessoa de minutos atrás. Não havia motivo para isso, necessariamente, mas ainda assim estranhou. Já faz tempo que tem idéias a seguir e verdades a contrariar, mas as forças opostas insistem em achar que sempre vencem e então a tal pessoa (a de fora do espelho) acaba voltando para lá, no chamado "banco dos réus" - se lhe permitem o drama (que na verdade bem ilustra, apesar de exagerado).



Nada mais.

mercredi, janvier 14, 2009

(Chega de?) saudade

Hoje senti falta deles. "Falta"? Que falta, falta. No entanto, não sei se eu deveria sentir que falta alguma coisa. Primeiro a gente torce por separações, depois se pega em momentos gays, sentindo um não-sei-quê de nostalgia - ou de tristeza, mesmo, que nostalgia é pra ser algo bom. Acho.
Será a música, cada vez mais presente, que gera esse clima melancólico? Bom, santa ela não é. Mas é coisa pouca pra ser o motivo.
Será o maldito líquido espesso e amarelado, também muito presente, o crucificado da vez? Ele sempre é, mas poupemo-lo (dessa vez).

Descoberta tardia: o culpado da tal saudade foi um simples caderninho de anotações - telefônicas ou não -, cotidiano tão perdido no tempo que até dificulta qualquer rememorar, mas que entristece, mesmo assim.

mercredi, janvier 07, 2009

Por trás da máscara

O poeta é um engenheiro - de obras feitas. Se aproveita do que é óbvio para construir, em meio a versos chantagistas, um mundo de verdades aparentemente novas. O que está claro, entretanto, é que todo mundo já cansou de ser ameaçado com os sentimentos desse "engenheiro de versos". Por que reclamas de barriga cheia, inspirador dos céus? Já não bastam as lágrimas (já) derramadas junto aos escombros de estrofes mal construídas, engenheiro das alturas? O que já está ali, pronto, não é mais novidade. Nada de sair colocando nome no que já tem (ou nem precisa de) dono. Ah, está faltando graça, entendo. Outra perspectiva? Algum adorno? Poeta, meu poeta, engenheiro dos (próprios) sonhos, também ousas ser arquiteto?

mercredi, décembre 17, 2008

À flor da pele



O que será?

mercredi, décembre 10, 2008

Mais letra de música

Valsinha

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E, cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

mardi, décembre 09, 2008

Postar letras de música

A gente só entende quando tem vontade. Mas é inútil pra quem lê.
Assim mesmo, postarei.

Medo de amar

Vire essa folha do livro e se esqueça de mim
Finja que o amor acabou e se esqueça de mim
Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz
E que ter medo de amar não faz ninguém feliz

Agora vá sua vida como você quer
Porém, não se surpreenda se uma outra mulher
Nascer de mim, como do deserto uma flor
E compreender que o ciúme é o perfume do amor

dimanche, décembre 07, 2008

O relógio biológico & o curso de Letras

Sábado, 0h07:

- Bah, que sonZZZZ...


Domingo, 8h57:

- Acordei cedo. O jeito é ler Mattoso Câmara Júnior & os vocábulos formais...

samedi, novembre 29, 2008

Táticas

Tentei não respirar, que era pro coração bater bem forte. Há algum tempo venho notando que é assim que acontece, então posso usar esse artifício contra ou a meu favor. Legal, né? Dá certa sensação de autonomia. A verdade é que descobri isso da pior forma, mas agora estou vendo o lado bom da coisa... ele sempre vem! Embora demore. Também aconteceu de meus olhos se nublarem, o que já havia ocorrido em alguns piores momentos da vida. Agora, entretanto, foi diferente: era quase descrença, de tão bom o motivo. Estaria sonhando?
Ah! Lembrei, agora! Também joguei a cadeira pra trás e coloquei as mãos no rosto, feito aquela vez. Eu não acreditava. Mas agora o motivo é outro. Agora é bom.

, agora canção

Conclusão utópica

Dizia que não lhe gostava
Talvez tática tímida
de quem sempre atormentava,
a ser um sonho da vítima.

samedi, octobre 04, 2008

A gota d'água

Enviado ao Correio do Povo

O atendimento telefônico do 190, da Brigada Militar, é simplesmente deplorável. Talvez haja exceções de vários funcionários, mas fui muito mal atendida por duas mulheres, que, simultaneamente, tentaram encerrar logo a ligação, sem responder à minha última pergunta, desligando o telefone na minha cara. Mesmo que não se tratasse de uma emergência, no sentido global da palavra, senti necessidade de ser amparada por alguma autoridade, já que o caso era de um estabelecimento com música absurdamente alta. Isso é profissionalismo? Há enorme descaso com a população, que não pode resolver sozinha todos os seus problemas, graves ou nem tanto, de ordem pública. Visto que a prefeitura também não faz nada, nesses casos, a quem recorrer, se estamos desamparados também pela Brigada Militar?

dimanche, septembre 14, 2008

Enganando momentos

Pensava que todos entenderiam suas piadas, não é que fosse estúpida ou inconveniente. Por que diabos os outros já saíam jogando pedras, se quem falhou em não compreender foram eles? Passou a pedir demasiados perdões, após certo tempo. Na dúvida, se desculpava: "é que já protagonizei maus bocados por culpa de minhas piadas ditas infames, então...", e fazia aquela cara de fazer-o-quê.
Já sentia certa amargura no espírito, pois não era mais a mesma - e a mesma, aliás, agradava-lhe bem mais. Envelhecia mais de esperança do que de pele. Porém, as idéias estavam lá, firmes. Mais formadas, talvez, do que seu corpo, que já não era mais o mesmo, também. Nada mais era a mesma coisa, e isso lhe causava certo misto de prazer em fugir da rotina com saudades de sentir-se menos confusa e mais ignorante - aquela ignorância boa, de quando viver parecia mais simples. Vontade de fugir ao passado ou ao futuro? A verdade é que o presente jamais a satisfaria por completo... quem sabe no futuro?
Outrora, buscava a felicidade em acontecimentos grandiosos que mudassem para sempre a sua vida, mas frustrou-se. Vem se frustrando, aliás, porque as ilusões - por serem passageiras - nada mais fazem do que isso: passar. E ficam passando, sem parar, cumprindo com uma obrigação melancólica, sequer desconfiando de que deveriam ir passear, em vez de ficarem ali, esclarecendo vida alheia. E quanto mais buscou (a felicidade), mais afastou (a felicidade). Não procurou tristezas... Por que raios elas apareceram?
Experimentou, então, desistir da longínqua felicidade plena e viver cada momento como se fosse o último. Mas o problema já veio na raiz: só era feliz durante esses momentos. E depois? Mais momentos. Certo, mas... e nos intervalos? Pausa para o lanche? Não sentia mais o gosto de nada, e já sentia-se bem alimentada de eternos meros momentos. O show tem que continuar, pensava - não há tempo para gulodices.
Mas nesse momento, enquanto criava estômago para seguir em frente, deu-se conta de que intervalos são muito comerciais. Não quis mais parar seu espetáculo toda hora e à toa, já que concluiu - sozinha - que não tinha nada de interessante pra fazer nesse meio tempo. E os intervalos só não foram mais comerciais porque não foram convincentes: descobriu que, emendando um momento no outro (se os costurasse bem nos intervalos), faria-os deixarem de ser momentos. Claro que não digeriu a idéia de primeira, mas foi pensando nisso, enquanto descia do palco imaginário que (não) criou e enquanto tirava a maquiagem que não cobria tanto os seus olhos que não pudesse enxergar o caminho de volta. De repente, fez uma piada para si mesma, e não a entendeu. Mas não pediu desculpas, apenas riu. Depois reparou, por acaso, que se sentia bem naquele momento. Era um momento de felicidade.

vendredi, juillet 25, 2008

É "cada um no seu quadrado", né?

De tempos em tempos, a tal vida prega peças. A vida, essa, que deve ser vivida intensamente - dizem os que não fazem isso. Todos têm o belo discurso chavão: o que realmente importa são as coisas simples da vida. E como o ser humano é um tipo engraçado, muitas falam isso na sala de espera da clínica, esperando para enfiar silicone: tanto nos peitos quanto na boca, à Jolie. (Tenho uma nova sugestão de onde enfiá-lo, mas acho que minha idéia não será bem aceita).
"Eu vivo um dia de cada vez, como se cada um deles fosse o último", diz o mega-fucker-empresário-pai-ausente, que dá todo seu suor pelo pão-nosso-de-cada-dia (seja o alimento da marca Peugeot, seja da Ford) de sua modesta família.

Aonde chegar com essas ironias? Em primeiro lugar, devo salientar que eu, nessa vida, me divirto. Sério. Depois de rir das piadas de muito mau gosto que a vida (estou precisando de sinônimos) faz, passo - finalmente - a refletir, com todo aquele ar grave de coisa importante. Diferente da maioria das pessoas, não sou PhD em viver. O que posso, portanto, é ensaiar meus passos, a partir do que me agrada, desde que não morra por alguma utopia. Equilíbrio? Busca eterna. Por isso mesmo, acho que dá para ser tão feliz errando e acertando sem parar, que chegamos até a ser egoístas com a Dona V. (achei!), pensando o contrário.

Se condeno futilidades? Claro que não. Que seja muito feliz quem as cultiva. O fato é que esse tipinho não deve se meter na possível felicidade dos outros! Pode parecer orgulho estúpido, mas cada um sabe o que é melhor para si. Por isso que dou a maior força, possível leitor, caso estejas pensando em trocar o carro de um ano atrás. Isso mesmo, faça-o! E me inclua fora dessa, beijostchau. Como seria ousadia demasiada afirmar que eu sei qual decisão é melhor para mim, mas que as outras pessoas não sabem o que é melhor para elas, respeito quem tem caprichos um pouco além do necessário - eu disse que respeito, não disse que não debocho -, afinal, são vítimas da sociedade de consumo, pobrezinhas.

Toda essa embromação quer dizer o seguinte: pensai antes de dar "conselhos", pois podeis estar falando merdas. Quem julga o que é merda e o que não é? Simples: não me peça para pensar em minha estabilidade financeira aos 22 anos. Vou recusar quantos empregos eu quiser, porque sempre agirei com motivos relevantes. E antes que se fale em necessidades, inúmeras delas são ilusões que nós criamos (ou não). Diferente do que dizem os publicitários, ofendidos...

... É por isso que faço Letras, e não vou largar.


vendredi, juillet 18, 2008

...

Maldito Byron.

lundi, juillet 07, 2008

Poema fujão

- Oi, tu não viu um poema passando por aqui?
Ele não tinha cor nem cheiro
E desconfio até que ainda nem era bem um poema,
pois veio à cabeça no pior momento,
quando não havia papel, caneta ou letra
sequer ânimo para o dar à luz,
e sumiu, em questão de segundos.

É um poema magro, de estatura mediana
Que nem sabe direito o seu papel no mundo
mas quer muito fazer a sua parte...

- Passou voando há pouco. Pra mim, estava fazendo arte...


Pronto, objetivo atingido: o poema está foragido.


mardi, juin 03, 2008

Bastidores

Às vezes me faço de Deus
e espreito o mundo de cima
o dia-a-dia sem cortes.

Meros mortais!
que nem imaginam ser todos iguais
a moça com suas fantasias,
e sonha com ela o rapaz

no meio da amarga rotina
se perdem pensando um no outro
fingindo que não é assim
ninguém vai saber, afinal!

que tal?
um jogo que não sei jogar
mas acho que não saio mal.
e o rapaz?

ninguém vai saber, afinal.