Para bom entendedor, meio covarde que prefere não dizer as coisas e deixar subentendido tudo o que seria tão simples dizer com clareza e sinceridade basta.
lundi, juin 02, 2014
Medinho
relations:
12 anos,
brinks,
descaso,
diálogos,
o mundo tá muito gripado,
outoneceu,
só que não,
viagens
mercredi, février 26, 2014
lundi, février 10, 2014
Justificando cagadas
Gostava tanto
Tanto
de novela
Que só fazia merda
Pra depois
poder corrigir
e viver
um final
feliz?
relations:
12 anos,
agressão,
começar de novo,
excesso,
o mundo tá muito gripado,
pesadelar
lundi, novembre 04, 2013
jeudi, octobre 03, 2013
dimanche, juin 02, 2013
O nada-óbvio-utópico
Sofria - era essa a palavra - por tudo que desejava, ao mesmo tempo, em doses cavalares e sempre intensas. Era bom, mas sofria - de tão bom. Eram tantas as possibilidades, e a vida recém havia começado. Exatamente por isso é que não havia tempo a perder! Queria, e rápido, desvendar essas possibilidades mundo afora, ainda que fosse pra depois não escolher nenhuma delas e voltar pra casa - própria. Queria ter uma casa, aliás... Mas não havia tempo de ter uma casa, porque o mundo estava lá esperando, a casa que ficasse pra depois. Ou mundo, ou casa. Agora era diferente: queria tudo ao mesmo tempo, com muita música; O igual poderia esperar. Ficaria para quando já não restassem opções tão diversas e motivadoras de viver.
Entretanto, nada estava assim, tão organizado: torcia para que esse futuro-igual-convencional não chegasse nunca!
relations:
ansiedade?,
eu ando pelo mundo,
felicidade,
momentos,
sonhos
jeudi, février 14, 2013
Criar - II
Falava da tal sensação boa de esquecer um amor com outro até esse também decepcionar tanto quanto os anteriores, mas enquanto isso não acontecia, preservava a mesma expectativa, da qual sempre se arrependia depois.
dimanche, février 03, 2013
Criar
Cristina criava galinhas. Sempre acharam um hábito meio avô-do-campo, julgamento que já não a incomodava.
Já Teresa, atingida a idade adulta, passou a criar insetos. Abandonou a carreira de bióloga, mas permaneceu esse resquício e, obviamente, todo mundo comentava com estranhamento.
Pedro era artista. Criava histórias em quadrinhos, situação que, apesar de já ser bem diferente dos casos anteriores, compartilhava com eles o mesmo problema: o julgamento alheio.
Ana Maria, por sua vez, criava histórias. Mas, dessa vez, a questão era mais problemática: criava histórias; portanto, histórias falsas. E sobre as pessoas: era fofoqueira... Também era criticada.
Juarez, coitado... criava a própria forma de se sustentar: vendia assinaturas de revistas usando argumentos duvidosos. Não faltavam reclamações, além das dívidas de sempre.
Mas queremos falar, em especial, da Amanda. O caso dela não tem exatamente o mesmo fim, é complicado e doloroso. Esperemos que essa moça se recupere, pois as consequências são muito graves. Pode pôr tudo a perder na vida, que é sempre tão imprevisível. O sofrimento e as críticas, dessa vez, eram muito piores...
Amanda - vejam só! - criava expectativa.
relations:
ansiedade?,
atucanações,
descaso,
excesso,
felicidade,
ficção,
momentos,
mudanças,
real,
só que não,
transparência,
viagens
samedi, septembre 22, 2012
Outros olhos - IV
- Viento...
- Qué pasa, chama?
- Em Caracas não tem flor lilás!!
- Qué pasa, chama?
- Em Caracas não tem flor lilás!!
relations:
desoutoneceu,
momentos,
ruas da flor lilás
vendredi, août 03, 2012
Seja doce!
- Puxa, tu sempre foi doce, assim...?
- Não. Aprendi na marra.
relations:
comuns,
eu ando pelo mundo,
família,
ficção,
mudanças,
persuasão,
só que não,
transparência
mercredi, août 01, 2012
Auto-persuasão
Estava tão nervoso, que precisou fingir que não estava e, nisso, acabou se convencendo a tal ponto, que nem estava mais nervoso.
relations:
atucanações,
contradição,
excesso,
persuasão
vendredi, juin 29, 2012
Hay que endurecer... pero sin perder la IDENTIDAD jamás
Desta vez, a escolha do lugar no ônibus não seria como as outras. Ela foi muito mais triste. Atrás de mim, uma guria e um guri conversavam. Ela lhe perguntava o que ele fazia na Universidade no dia de hoje. Ele respondeu que era horário da bolsa em que trabalha. Ela pergunta, então, que curso ele faz, evidenciando a falta de intimidade entre os dois.
"Ciências da Computação. Mas queria fazer licenciatura em Física."
"E por que não faz?" - pergunta a guria.
"Meus pais não deixam." ... "Eles não querem que eu seja professor."
Talvez tanto quanto eu, a guria deve ter ficado chocada com o que seu pseudo-conhecido relatava. Seguia perguntando, sutilmente, por que ele não fazia, mesmo assim, o que gostava, por que os pais não queriam que ele fosse professor, se era porque ganhava pouco...
Pior: era porque não dava 'status social', diz ele. Tudo, tudo, com um tom de voz tão resignado - principalmente quando contou que foi expulso de casa pelos pais porque tinha se matriculado em Física, mas aí voltou atrás -, que sou capaz de dizer que tinha um semblante tão conformado quanto a voz, mesmo sem ter ousado olhar pra trás até ele descer. Ainda disse que o pai é engenheiro e a mãe, arquiteta. O irmão, mais velho, faz Engenharia da Computação na PUCRS.
E perguntava sobre as coisas que a guria falava (visivelmente tentando iluminar a mente tão alienada dele). Ela teve que explicar o que significava 'caráter', 'honestidade', 'identidade'... e dizer que a pessoa pode acabar perdendo a identidade, o que - grifo meu - é muito mais sério do que perder o documento com o número do RG.
Depois de alguns minutos de silêncio ele fazia outra pergunta qualquer, de certo constrangido com o silêncio (creio que chocado) dela, que, pra mim, dizia muita coisa. Em algum momento ele disse que, se/quando vier a trabalhar, vai morar sozinho e trocar de curso.
Mesmo que ele tenha descido antes, não tive coragem de falar com a guria, mas tive vontade durante todo o caminho. Desisti de descer na mesma parada, mas fiquei mais aliviada porque escrevia esse relato praticamente ao mesmo tempo em que tudo acontecia.
Se tive vontade de chorar enquanto ele narrava o próprio fracasso, seria mesmo EU a anormal? Ou será ele, em sua completa infelicidade?
lundi, juin 18, 2012
Imagem em palavras
Estava passando pela sala e me aproximei da janela. Havia chovido o dia inteiro e restavam várias gotinhas pelas hastes de todo o varal. Em meio à escuridão total, em que talvez o foco de luz mais próximo fosse o da janela de um vizinho, era possível apenas ver as gotinhas, iluminadas feito luzinhas de Natal. Já hesitante devido à (falta de) qualidade da minha câmera, decidi, na hora, que deveria ao menos tentar tirar uma foto. Flash estava descartado. Sem ele, porém, não se veria absolutamente nada. Ainda assim, fiz preces para que milagrinhos como modo noturno, ISO e laterninha do celular por trás pudessem resolver alguma coisa, na minha total ignorância para fotografia.
Em meio a cuidados com janela aberta e gatos brincantes no escuro, fiz tentativas praticamente inúteis. A representação daquela linda e efêmera imagem, pelo visto, insistia em não ser eternizada senão na minha memória. Não queria, de certo, virar objeto de contemplação em massa, que é o que acontece com toda e qualquer imagem, hoje em dia. Queria apenas existir, ali, naquele momento noturno e solitário. Mais ninguém saberia que ela existiu, além de mim. Não passaria de um fato cotidiano e quase tolo, que nada tem a ver com arte. Não passaria... mas passou.
Falham as tecnologias, faltam os conhecimentos técnicos... No entanto, o poder que a palavra tem para descrevermos a cena que quisermos, da forma que quisermos, com ou sem luz, jamais falhará. Eu lancei as palavras. A cena, agora, fica por conta de quem ler.
jeudi, mai 03, 2012
A dialética do "eu te ligo": uma introdução
Zezinho nunca se havia perguntado sobre a lógica de se prometer algo sem a intenção de cumprir. Ou, talvez, sem saber se estaria a fim de cumprir, depois.
Exemplo: não havia pressão alguma, nem expectativa ou qualquer cobrança. Ainda assim, prometia ligar no dia seguinte. Ou depois (ou depois de depois). Ou sequer mencionava o dia. O fato é que ele dizia - mesmo que isso nem tivesse passado pela cabeça da criatura em questão - que iria ligar.
Mas pra quê? Pois ele nunca havia parado pra pensar nisso antes. Apenas seguia prometendo-e-não-ligando-depois. Por quê?
Mas pra quê? Pois ele nunca havia parado pra pensar nisso antes. Apenas seguia prometendo-e-não-ligando-depois. Por quê?
Esta é a primeira etapa do projeto de pesquisa, que segue em andamento, ainda que vagarosamente. Os resultados parciais foram: "não sei".
relations:
a outra face,
bizarro,
contradição?,
diálogos,
digo e repito,
ficção,
momentos,
que horas não são?,
só que não,
transparência
Pays/territoire :
Porto Alegre - Rio Grande do Sul, Brésil
jeudi, mars 08, 2012
jeudi, février 23, 2012
vendredi, décembre 09, 2011
Destino
Sexta-feira. Ônibus vazio às seis da tarde, indicando que é final de semestre. Retorno de uma semana não tão cheia de aulas, mas com a cabeça muito cheia de trabalhos, provas e intemperismos do dia a dia.
Sem que eu visse entrar pela janela, uma flor lilás cai no meu colo.
Ganhei o dia.
jeudi, novembre 17, 2011
Outros olhos - II
- Vento...
- Ai... o que foi agora, menina?
- Com certeza. Às vezes, certas coisas que acontecem podem ser um bom motivo para que aprendamos mais uma lição de vida.
- Pois é. Depois que reclamei da ausência da flor lilás, ela apareceu. Fiquei muito feliz. Mas, nisso, pensei: "bem que eu podia tirar uma foto daquela árvore ali da esquina, que tá com umas flores amarelas lindas...".
- Muito bem! E então...?
- Só que acabei aprendendo outra lição, amigo Vento: quando finalmente decidi valorizar a flor amarela... ela já não estava mais lá!
- É... nem tudo são flores, menina.
relations:
a outra face,
diálogos,
prazeres,
real,
ruas da flor lilás
mercredi, septembre 28, 2011
Outros olhos
- Ando meio triste.
- O que aconteceu?
- Ah, é aquela flor lilás, sabe... Todos os anos, nem bem chega a primavera, ela já está por aí, cumprindo o dever de colorir o céu e o chão. Cumprindo, sem querer, o dever de me deixar feliz. Mas esse ano ela ainda não apareceu.
- Tu não gosta de outras flores?
- Gosto! É que... talvez eu nunca me contente com pouco, é isso.
- ... As flores cor-de-rosa são pouco?
- Não... mas as lilás sempre aparecem! Por que agora seria diferente? Me diz!
- Para te fazer ver outras belezas, é possível que a flor lilás tenha sido soprada para outros lados - respondeu o vento.
relations:
a outra face,
começar de novo,
diálogos,
mudanças,
nostalgia,
ruas da flor lilás
lundi, août 22, 2011
Vingança?
Diante do altar, quando ela finalmente, depois de anos, havia resolvido dizer o esperado "sim", o padre pergunta se alguém é contra a união:
- Eu - surpreende o noivo.
relations:
contradição,
contradição?,
ego,
variação ou mudança?
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